Fernanda Montenegro bem o disse, e tenho certeza que fazer rir é cada vez mais difícil e que hoje, para arrancar lágrimas basta olhar logo ali...
Quem se arrisca um olhar mais desarmado para a Colômbia?
A imagem de uma outrora cheia de vida, combativa e brilhante jovem mulher me emociona, mas acima de tudo, me apavora.
Como pode estar acontecendo isso aqui ao lado, dezenas de pessoas arrancadas da vida, sumidas por anos e anos, sem que ninguém tenha certeza se estão vivos ou mortos, se podem satisfazer suas necessidades mais primárias...
Não consigo entender que se possa localizar um bueiro, via satélite; ou a tentativa de um mexicano atravessar a fronteira e entrar nos Estados Unidos...e por longos cinco anos, Ingrid Betancourt esteja assim, desaparecida sem deixar vestígios.
Por mais que eu tente me convencer, não acredito que tenham se esgotado as tentativas para libertá-la e aos demais. Só no grupo que, supõe-se, esteja junto com a ex-candidata a presidência da Colômbia, são dezesseis pessoas, inclusive quatro americanos.
Quem sou eu, além de uma mãe que não pode, sequer, imaginar que isso pudesse acontecer com minha filha. Eu enlouqueceria.
Onde estão os gringos que desencavaram o Sadam e que já reviraram o Afeganistão atrás do invisível Binladen?
Fico angustiada com a imagem esquálida e sem vida, olhar fixo no chão, ombros caídos e longos cabelos ralos, que parece nos dizer que enquanto tentamos rir, eles continuam ali,
“vivendo como mortos”, como o disse numa carta, sabe-se lá de quando, para a mãe e os filhos.
Meu pavor só aumenta quando o megalômano e debochado treinee de ditador arrota arrogância, e ameaça a Espanha, como se tudo pudesse, tudo lhe estivesse ao alcance.
Pior do que um líder fanfarrão, é um fanfarrão enlouquecido, que ainda encontra a quem liderar, e esse, valho-nos Deus, está bem aqui ao lado, que horror.
Não é mais uma imagem distante e exótica de um Idi Amim que semeava terror lá pela África. Trata-se de um vizinho, de compleição acaboclada bem familiar, com rompantes de insanidade cada vez mais freqüentes...Sem freio, sem controle.
No Brasil, o Homem-Aranha cedeu o posto de super-herói da hora para o Capitão Nascimento e na TV, o último tiroteio nos mostra que estamos sim, nos acostumando com essas coisas, bala pra lá, bala pra cá, é só se abaixar e seguir em frente.
O Pará, “ Geni” em tempo integral por conta dos trapalhões de plantão, se mantém na mídia negativa e já é detentor do troféu Pé na Lama. Gostaria de perguntar a cada envolvido, principalmente às mulheres, “ e se fosse sua filha?”. Ah... Não adianta, pensar que “isso” jamais aconteceria com alguém da própria família... Se tivessem essa reflexão, nada disso teria acontecido.
O que me vem à mente é que aqui se faz, aqui se paga, basta aguardar...
Para passar esse sábado, melhor um balde de pipocas e algo bem profundo no DVD.
“A Era do Gelo” e “Procurando Nemo” são a melhor escolha.
Mesmo assim, não consigo deixar de imaginar como estará ela, Ingrid, que hoje não é mais a ex-candidata a presidência, a mulher de respeito e projetos, a jovem arrojada e guerreira.
Ela é, apenas, refém. Uma morta em vida.
E enquanto isso, a gente tenta entender o que é ser humano, já que o gênero admite várias espécies. Seria isso evolução?










